quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Chegou!



Nem vou explicar a ausência.
Voltei e boa, como sempre.
É que em 2011 tem uma coisa muito super blaster mega power boa na parada: concorrência.
Chama-se ACTREEN GLYS SET.
Cateter vesical pré-lubrificado com reservatório acoplado.
Assim que tiver mais detalhes, contarei.
Enquanto isso, fique olhando a imagem prá ver a belezura.
Até daqui a pouco, e beijocas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Novidades no front!

Meus zamores:

Depois de um longo e tenebroso inverno, aqui vamos nós.
Nem vou explicar porque não postei nesses tempos, pois foi falta de vontade, mesmo. Da grossa.
Mas agora temos duas boas novidades no mercado nacional, que você precisa conhecer:
A primeira delas é uma toalhinha (lenço é pouco, a danada é caprichada) umedecida, para a limpeza do períneo, que é um luxo.
Chama-se "Comfort Shield - Barrier Cloths", sacou a chiqueteza da coisa?
Ela é umedecida com Dimeticona, que faz uma proteção fantástica e duradoura na pele, além de preservar o pH (acidez) da mesma, evitando que apareçam lesões por irritação no contato com fezes/urina.
Eu tenho sempre um pacotinho no carro (ou na bolsa, se for das maiores), e resolve muitos perrengues. A distribuidora nacional é uma empresa chamada Politec, e você poderá saber mais a respeito no site deles: http://www.politec.net/
A segunda novidade, também é para a pele, e chama-se "3M Cavilon - Creme Barreira Durável".
O nome já diz tudo, é um creme que faz uma barreira protetora na pele, prevenindo as lesões causadas pelo contato com urina e fezes. É um irmão da película protetora Cavilon, que eu também recomendo. Vale a pena conhecer.
Siga o site: www.3m.com.br
Temos uma outra super novidade, mas essa ficará para a outra semana, pois merece uma caixa de fogos de artifício.
Até porque você terá dois bons motivos para esperar: o teste dos produtos que eu recomendei hoje.
Com certeza os distribuidores atenderão o seu contato, pois ambos têm enfermeiras estomaterapeutas no suporte ao consumidor, que são profissionais da melhor qualidade.
Beijobas prá vocês,

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Boca nervosa

Ando meio cá, meio lá, ainda me refazendo da última pancada.
E tem coisa melhor prá aprumar uma cidadã, do que inventar uma nova moda?
Penetraremos, entonces, na área que faltava aqui, os tais estomas.
A origem do termo é a palavra stoma (do grego, se num enlouqueci), que significa boca.
No caso do nosso ganha pão, uma boca extra que o cirurgião faz, para deixar funcionando um órgão que num tava lá, digamos, muito católico.
Um fiofó que perdeu a capacidade de conter/expelir no momento adequado. Um reto que precisou ser amputado e o que sobrou num dá prá chegar bacaninha no roscófi do cabra. Uma bexiga idem. E por aí vai.
Modos que o caboclo fica com um buraco extra, por onde se expele ou se introduz o que for necessário.
Se for uma gastrostomia, a gente bota comida líquida dentro, prá quem perdeu o estômago.
Uma colostomia serve para eliminar as fezes, e nós adaptamos uma bolsa bacanuda prá receber o barro.
Uma vesicostomia faz o mesmo em relação a urina, só que a bolsa é um tanto diferente.
E tem zilhões de produtos para tornar a vida das pessoas que precisam de um estoma muito mais confortável.
É uma cacetada? Claro que sim.
Mas a maioria dos pacientes se adaptam tão bem a ponto de fazerem exatamente tudo o que faziam antes: esquiar, surfar, mergulhar, nadar, transar, namorar, correr, dançar, beber, comer e viver. E viver bem.
Confesso que ter uma estomaterapeuta antes da cirurgia, para fazer a demarcação do local apropriado para a construção do estoma, e para orientar quanto ao que vai acontecer no pós-operatório, é receita certa de adaptação à nova condição.
E, depois da facada, a gente entra com mil soluções infalíveis prá tirar o odor, esvaziar as bolsas, fazer irrigação, dicas de underware disfarcilda para mulheres vaidosas, dicas para furunfar sem riscos de acidentes, cuidar da pele ao redor do estoma, tratar as alergias, por prá dentro os estomas saidinhos, por prá fora os retraídos, posicionar os trapaiados, etc, etc.
Enfim, cada pobrema com sua alternativa porreta.
Enquanto a gente cuida disso, vamos trocando figurinhas com os pacientes e, em pouco tempo, a maioria deles bate asas... e fundam as associações dos estomizados pelo mundo afora, lutam pelos seus direitos, viajam, tocam na banda e fazem bolo prá fora.
Parece simples, né?
E quase é.
Como tudo na vida.
Sei lá por que (junto? separado? com acento?), me lembrei ainda agorinha de um poema da Cecília Meireles, que sempre me falou ao coração:

"Não se aflija com a pétala que voa,
também é ser, deixar de ser assim".

Ando tão sentimentalzinha, que dá até nojo... chuff!
Beijo,

terça-feira, 9 de março de 2010

Liquidando a fatura

Encerrando, ao menos por enquanto, esta etapa de falar de feridas, vou contar um "causo" que rolou comigo semana passada e me deixou bem chateada.
Uma das pacientes que eu estou atendendo não tinha condições de ir a clinica para TODOS os curativos e combinamos que ela iria uma vez por semana, quando eu avaliaria, faria o necessário e orientaria o cuidador para a continuidade do tratamento no domicílio.
Dito e feito, mas o cuidador tinha um pouco de nojo e mal olhava para o que eu fazia, concordando com tudo. Sim, entendi como faz.
Eram três feridas na perna, duas em fase final de cicatrização, nas quais usei um produto para manter o leito da ferida na umidade necessária. E na pior eu coloquei uma cobertura com alginato de cálcio + prata, pois era muito exsudativa e estava colonizada. Resumindo: babava muito e tinha muitas bactérias morando ali, mas ainda sem infecção.
Uns quatro dias depois, outra pessoa da família me liga dizendo que tinha piorado e me contou os detalhes. Orientei para que procurassem o cirurgião vascular que também acompanhava, pois seria o caso de retomar a antibioticoterapia.
No retorno eu vejo um curativo todo atrapalhado, nada a ver com o que eu prescrevi. Botaram a cobertura de uma na outra, por baixo, uma mixorda do cão!
O que desencadeou o agravamento da ferida, sem dúvida.
A cuidadora toda sem graça me disse que achou que era assim que deveria fazer e, que ainda por cima, o médico elogiou o curativo e os produtos utilizados, tudo de primeira linha. E passou o antibiótico, claro!
Eu fiquei rindo por dentro, pensando com meus cadarços acerca da onipotência do saber do cidadão que, prá num descer do salto, passou pelo ridículo de elogiar algo que mal conhece.
Senti um pouco de vergonha alheia, confesso.
Esse imbroglio todo é para dizer o seguinte: se você for a uma loja de produtos cirúrgicos vai encontrar zilhões de coberturas para feridas. Cada uma com uma propriedade, que nem remédio em farmácia.
Para usar qualquer uma, fale com um especialista. Caso contrário, pode piorar o quadro.
Para os profissionais, fica a dica: depois de 25 anos de estrada, a gente faz coisa errada sim. Afinal de contas, se o cuidador num fez direito em casa, é porque eu não soube orientar adequadamente.
E para aqueles que são pegos de surpresa com alguma nova tecnologia, a velha fórmula: ninguém tem condições de saber TUDO sobre TODOS os temas. E não é vergonha dizer que não conhece e que vai se informar melhor para poder opinar. Ao contrário, isso mostra ao paciente que a gente é de verdade.
Mas que num é fácil, lá isso não é.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Perebas 2: e a saga continua.

Continuando a minha missão de ensandecer os viventes que aqui aportam, falaremos um tico a mais de perebas e quetais.
Se você já escafunchou a famiage toda em busca de alguma tia véia com pereba prá se meter a curandeiro, tem mais novidade na área.
Além das úlceras por pressão, você já deve ter visto muita gente com feridas nas pernas ou nos pés, com aquelas faixas horrendas.
Algumas vezes, prá efeito de esmola, o cabra costuma deixar babar um caldinho amarelo, que faz um efeito e tanto na doação... e fica muito chic, mesmo.
Como dizem que já disse Hipócrates, "cicatrizar é uma questão de tempo, mas também de oportunidade".
Isso significa que, com/sem ou apesar do profissional de saúde, as feridas tendem a fechar, um dia.
O grande problema é QUANDO isso ocorrerá.
Quanto mais demorar, pior a qualidade da nova pele no local, como já comentei antes.
E em muitos casos, apesar de haver um ingestão alimentar equilibrada, repouso, retirada da pressão, limpeza adequada, uso de coberturas inteligentes, etc, etc, a coisa não anda.
Pode ser por causa das condições circulatórias no local, que ocasionam as úlceras venosas (por doença venosa), as úlceras arteriais (por insuficiência arterial), ou as mistas.
Todas são chamadas de úlceras vasculogênicas.
Lindo nome prá uma criança, né?
Passando a régua: ferida nos membros inferiores requer avaliação da circulação, a ser feita por um cirurgião vascular. De responsa, de preferência.
Acha que tá bão? Que nada.
Existem ainda as úlceras diabéticas, causadas por alteração de sensibilidade ou, em casos mais avançados, por deficiência na microcirculação sanguínea.
Prá essas, antes de mais nada, é fundamental o controle rigoroso dos níveis glicêmicos. Senão nada feito.
Estamos falando de dieta, medicamentos, atividade física. Mudança de hábitos, em suma.
Tá pirando? Deixe de onda, temos ainda um caminhão de causas perebísticas por aí: leishmaniose, infecções bacterianas, dentre elas.
Para todas, sem exceção, o tratamento passa por controle do agente causador, suporte nutricional, repouso, uso de coberturas adequadas, limpeza do leito da ferida, ingestão hídrica, controle da dor e de doenças associadas.
Facinho, né?
Mas, para quem teve festas de findiano, férias, Carnaval, farra do boi, e tudo o mais, é só juntar as forças e mexer a buzanfa.
O trabalho é árduo, mas dá bons resultados.
Beijo no cachorro,

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Buzanfa prejudicada

A pedido de Jairo, meu bródi, escrevi um post sobre feridas pro blog dele e que, depois de doado, meu chapa mui gentilmente, me deixou usar aqui.
A coisa começa assim: quando a gente tem a sensibilidade normal, mudamos de posição constantemente, sem que nos demos conta.
Fazemos isso no piloto automático, descruzando pernas, levantando uma banda da bunda da cadeira, chacoalhando as pernas, e por aí vai.
Prestenção que você faz isso todo o tempo, sem perceber.
Com a sensibilidade do tato alterada, como acontece em várias deficiências ou lesões neurológicas, essa percepção para mudar de posição não acontece, e a pessoa fica horas/dias/meses do mesmo jeito, se alguém não auxiliar na mudança, para aqueles que também tem a mobilidade prejudicada.
Se isso acontecer, os pequenos vasos (artérias e veias) ficam comprimidos entre as saliências ósseas e a cama, deixando de levar sangue aos tecidos. Isso ocasiona a morte das células.
Tecido morto para o nosso corpo é coisa estranha, ele só reconhece coisas vivas e daí o negócio é botar para fora.
Está iniciada a "úlcera por pressão", que recebe esse nome justamente para que se lembre a sua origem. Antigamente chamava-se escara, hoje o nome mudou.
Começa sempre com uma vermelhidão que não desaparece quando se comprime levemente a pele, esse é o estágio I. Pode botar fé que aí a pele já morreu, abrir tudo é só uma questão de tempo.
Estágio II é quando tem perda de tecido de pequena profundidade, atingindo somente as camadas superiores da pele. No estágio III há o comprometimento de toda a pele e, no IV há perda de músculos e pode chegar aos ossos.
Ou seja, o cabra chega no pronto socorro todo estropiado, a equipe vai cuidando de fazer diagnóstico, radiografias, tomografia, imobilização, cirurgia, curativos, medicamentos, estabilizar o caboclo e todo mundo deixa ele bem quietinho, sem mexer.
Quando passa o furacão, se aparecer uma alma sensível e competente, vão começar a mudar de posição na cama e... surpresa!!!
Tem uma baita feridona na buzanfa do cidadão.
E não é só aí, não. Onde tiver pele sendo comprimida por uma proeminência óssea pode acontecer uma úlcera por pressão, até na cabeça.
Simples assim.
Vamos tratar? Prá começar, mudar de posição a cada duas horas, religiosamente.
Isso quer dizer virar para um lado, ficar duas horas. Depois virar para o outro, mais duas.
Depois de bruços, outras duas horas.
E de costas, mais duas horas.
Ou seja, somente a cada 6 horas (se num errei nas contas) vai haver pressão na mesma área novamente.
Se estiver sentado na cadeira de rodas, tem que fazer a “descompressão isquiática”, ou push-up: a cada 30 minutos, levantar a buzanfa e perninhas sustentando-as nos braços, pelo máximo tempo que conseguir.
Sem isso, pode baixar gzuis que a ferida num fecha, pois faltará o principal: estradas livres (vasos sanguíneos) para chegar nutrientes nas células.
Segunda coisa: alimentação rica em proteínas e vitaminas, com suporte profissional. Caso contrário não haverá nutrientes suficientes para criar pele onde precisa ser cicatrizado. E pode comer de tudo, nenhum alimento é proibido por causar feridas, pelamordedeus!!!!!
Prá finalizar, sugiro a contribuição de um profissional enfermeiro com conhecimento especializado em feridas, o estomaterapeuta (uma lesada que nem eu, craro), para avaliar o cidadão e a lesão e indicar a melhor cobertura a ser colocada ali, além da limpeza adequada.
Não dá prá chutar nem botar qualquer coisa, pois isso pode atrapalhar tudo.
E jamais deixar aberto, botar prá tomar sol, utilizar produtos caseiros, ervas e quetais.
Ah, e o sujeito tem que estar sempre sequinho, limpo, sem fezes ou urina, senão vira um caos.
Esse é o grande nó da coisa, pois sempre que começamos um tratamento, temos que tirar fraldas sujas de urina e fezes, tudo colado na ferida.... retrocesso geral.
Semana que vem continuo falando de perebas, esse assunto tão sedutor.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Depois de um mês de novembro trabalhando feito maluca, um dezembro tal e coisa, começamos um novo ano.
E, só prá chacoalhar, dê uma olhada na manchete que acabo de ler no UOL :

"Menino de 2 anos morre depois de ter apanhado do pai por ter urinado nas calças"

Perversão total.
De conceitos, de moral, de costumes, da educação, do caráter e, de quebra, da fisiologia.

Salve 2010!!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Plug anal

Continuando a nossa saga de opções estranhas para problemas complicados, voltamos a falar das perdas de fezes.
O tratamento da incontinência anal pode ser feito com o uso de medicamentos, cirurgias, reabilitação da musculatura do soalho pélvico, reeducação alimentar e intestinal, ou ainda, o uso de dispositivos que minimizem os sintomas e suas conseqüências, como o plug anal.
Sim, esse é o nome do único bagulho comercializado no Brasil, como uma alternativa para as pessoas que, mesmo após uma evacuação diária, continuam perdendo fezes em menores quantidades, no decorrer do dia, pois funciona como uma barreira efetiva para as fezes no reto.
Ele num cura nada, mas pode melhorar a convivência com a perda fecal, possibilitando menos situações constrangedoras. São destinados a pessoas com pequenas queixas que não justificam uma intervenção cirúrgica, pessoas com contra-indicações para uma cirurgia, ou ainda outras que aguardam uma cirurgia, e que querem sentir-se protegidas.
Não se assuste com o incômodo causado pelo seu uso. Quando se coloca, a primeira sensação é aquela parecida com “tem um pequeno cocozinho entalado”. Em torno de alguns minutos a gente se acostuma e passa a não perceber mais nada.
Porém, o plug não deve ser usado em casos de diarréia, pois será expulso. Já imaginou o estrago duplo?
E tem dois tamanhos, que não tem nenhuma relação com capacidade da ampola retal ou sacanagens afins: é tudo uma questão pessoal, cada um se adapta a um tamanho e ponto final. O tamanho a ser utilizado não deve ser determinado de antemão – deve-se experimentar os dois tamanhos e escolher aquele que se mostrar mais efetivo.
O produto é feito de uma espuma suave e confortável que permite a passagem de ar (sim, o pum passa por ele... e fede!), apresentando-se comprimido por uma película hidrossolúvel que se dissolve quando exposta ao calor e à umidade natural do reto, expandindo-se completamente, promovendo dessa forma uma barreira efetiva para as fezes. A espuma mantém sua maciez quando em uso e possui uma corda em tecido de algodão para a remoção.
Dicas: antes de começar a pensar na brincadeira, procure um profissional especializado no assunto, para discutir o seu caso.
E veja a fota, prá ir se acostumando com a idéia.

Imagens da Coloplast do Brasil Ltda.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Prá sacudir o findi

Escrevi um tempo atrás sobre as infecções de trato urinário (ITU) de repetição, num post que gerou zilhões de emeios lá prá casa, alguns telefonemas, tantão de gente que vive esse problema.
Num leu? Vai lá então (Tomo antibiótico?), vai:
Pois bem, segundo as mais recentes publicações científicas e vários papos com colegas no encontro anual da International Continence Society, criei coragem de falar do uso do Cranberry.
Uma frutinha vermelha, da turma dos berries, típica de clima temperado e que tem a propriedade de acidificar a urina bem fortão, num ponto em que as bactérias não tem condição de se reproduzir e dão o fora.
Sim, com duas doses diárias de 300mg do tal Vaccinium macrocarpon Berry, com intervalos de 12 horas, vc consegue esse efeito.
Oraite, vamos mais uma vez considerar que tudo o que é divulgado aqui tem base em evidências científicas, e as tais possuem prazo de validade.
Até que se descubra outra novidade, isso é o que vale. Assim funciona a ciência, a reboque de verdades transitórias.
Portanto, se o caboclo quiser dar uma zerada no exame de cultura de urina, livrar-se do uso repetido de antibióticos e melhorar a resistência imunológica, sugiro uns dois meses de uso contínuo.
A sugestão desse prazo é minha, anote aí.
Pois dá prá usar menos tempo e obter um resultado bom também.
Só que aqui num se compra a tal cápsula mágica num Walgreens ou CVS, como nos EUA.
Confesso que trambiquei um tanto pros pacientes daqui, na minha viagem, principalmente prás crianças, mas foi por uma boa causa, oficórsi.
E lá vc compra em toda esquina, por 5 dólalds apenas, um frasqueto prá 45 dias.
É de chorar pelado...
No Brasil só dá prá usar se vc mandar manipular numa farmácia confiável, sob prescrição médica, e vai custar uns 80 mangos para um mês.
Caro prá quem já gasta tanto, mas ainda assim mais barato do que o uso de antibióticos.
Nunca tentei comprar naqueles sites que vc acha com a ajuda de São Gúgou, mas sei de gente que compra coisas por lá e dá certo.
Pode ser uma idéia.
Enfim, caso vc queira explorar mais o assunto, apele pro santo acima.
Lá vc vai ler artigos interessantes sobre a santa fruta.
Que fica perfeita em saladas, seca, que nem uva passa.
Diliça também.
Ah, tem o suco, que é vendido só nas mega power casas do ramo, importado tamém, custa os zóios da cara, e tem que tomar 500 ml por dia.
De novo, diliça.
E se depois vc quiser comemorar os resultados, junte o suco da fruta com vodka de boa qualidade e procedência, uma dose de Cointreau, outra de gin também bacana, agite e sirva numa taça de boca larga.
Chama-se Cosmopolitan, o drink do seriado Sex and the city.'
Esse é de tomar de joelhos.
Beijos,

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Criando juízo

Vamos voltar ao batente, já passou da hora de achar um tico de tempo prá voltar a escrever.
Concluindo o tema incontinência anal, temos algumas soluçoes bem legais.
A primeira delas é cirúrgica, com algumas técnicas interessantes. Todas elas dependem do tanto de músculo íntegro que restou.
Pode ser uma cerclagem, que é uma costurada em círculos, que nem quando a gente faz fuxico, sacumé....
Ou tem uma transposição de músculo da perna, chamado grácil, fazendo um desvio para o esfíncter.
Ainda se pode contar com uma plástica, a esfincteroplastia.
E tem medicamentos que aumentam o bolo fecal, que alteram a absorção de água das fezes, etc.
E os exercícios para fortalecimento do soalho pélvico, com o auxílio do biofeedback, que é o que eu faço.
São zilhões de alternativas, todas devem ser avaliadas junto com o coloproctologista, que saberá orientar a melhor alternativa.
São tantas que não tem justificativa prá quem num vai atrás, na busca de soluções.
Precisa de um empurrãozinho... entre em contato que fico a disposição prá ajudar no que puder.
Beijocas procê,

terça-feira, 7 de julho de 2009

Indo e voltando...

Sim, este blog está às moscas.
Não, eu não desisti.
O final do semestre me exauriu, sinto-me como se tivesse sido passada em uma centrífuga, só sobrou o bagaço.
Estou na primeira semana de férias e, antes de começar a curtir o descanso, estou com um caminhão de pequenas coisas prá resolver na vida e na casa.
Voltarei em breve, mais alguns dias e continuo a falar da incontinência anal.
E depois ainda teremos estomias e feridas.
Muito papo vai rolar por aqui, pode contar com isso.
Beijoconas e até daqui a pouco,

quinta-feira, 11 de junho de 2009

E a cabeça, como fica?

Fica confusa, atrapalhada, constrangida.
O peão fica recluso, não quer sair de casa.
As muiés deixam de fazer suas atividades na rua, começam a fugir dos encontros com amigas, dão desculpas...
Você achou que seria diferente?
O risco de perda de urina ou fezes, lá no fundo, nos deixa extremamente vulneráveis.
É que isso nos remete à infância, tempo em que não tínhamos controle dos esfíncteres.
E que, quando acontecia uma dessas, a mamãe logo dizia:
- Xiiiiiiiiiiii, fez cocô, vou ter que limpar esse porquinho!!!
- Putz, xixi de novo, nenê???
E nenhum adulto gosta da idéia de voltar a esse tempo, nénão?
Por essa e por outras, as pessoas com incontinências acabam por isolar-se.
A sensação de rejeição e a alteração na auto-imagem costumam associar-se à depressão.
E uma grande dificuldade de tratar do assunto, completa o angu.
Ou você acha que é fácil sair falando por aí:
- Ah, perder fezes? Isso sempre acontece comigo, é super comum!!!
Óbvio que quando alguém souber disso, logo vai ficar cafungando do lado do cabra, prá ver se sente aquele cheirinho...
E qualquer pum que escape no ambiente... pronto, lá vai o coitado levar a fama.
Justamente por isso que as pessoas ficam quietinhas, em casa, mocozadas.
E a perda de urina?
Você acha legal ficar cheirando xixi na roupa?
Dar bandeira de mancha de urina na calça?
Ninguém acha, claro.
E assim os incontinentes se entocam, quietinhos.
Muitas famílias internam seus idosos em casas de repouso por causa das perdas de urina e/ou fezes.
E todo esse clima de confusão e perda de auto-estima torna muito difícil procurar ajuda e informação, para um tratamento adequado.
Será que agora conseguimos entender um tico a mais sobre o que passa na cabeça dessas pessoas?
Tomara que sim.
E torço para que cada um que ler esse texto lembre sempre que as incontinências podem acontecer com qualquer pessoa.
Por um motivo ou por outro, ninguém está livre desse risco.
Pois de agora em diante, falaremos das soluções que existem para esse problema.
Beijoconas e até mais,

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Perdendo cocô...

Entonces que eu já estou com tempo até prá tomar banho, e voltei aqui.
E já que comecei entregando o ouro no título, vou completar o serviço.
Lembra que falei ali embaixo de como funciona o nosso corpinho na hora de evacuar?
Pois tem um tantão de motivos prá isso dar errado, prá variar um pouco...
A maioria desses motivos gira em torno de flacidez dos músculos dos esfíncteres (as torneirinhas, lembra?) do ânus.
Na verdade, esses músculos são assim como uns funcionários, que só trabalham se recebem ordens.
Como todos os músculos do nosso corpo, de novo!
E quem manda neles são os nervos.
Resumindo: se os músculos ficam frouxos por si só, não fecham direito a torneira e, bastou o cocô descer prá ampola retal e... suja-se as calças.
Ou então, se os nervos não funcionarem por alguma razão, não darão a ordem exata e... acontece a mesma coisa.
Bem, as razões prá isso acontecer são várias, vou listar algumas:

  • Lacerações do períneo (estupro, lesões graves no parto, etc)
  • Deficiência hormonal
  • Lesões neurológicas adquiridas ou congênitas (de nascimento)
  • Ânus imperfurado (lesão congênita)
  • Seqüelas de cirurgias pélvicas
  • Neuropatias por Diabetes mellitus

Sacou que num é pouca coisa?
Mas existem outros motivos que podem desencadear o “cansaço” dos músculos, sem que haja lesão nos nervos. A constipação intestinal, as alterações no tempo de trânsito intestinal (intestino rápido demais), as alterações cognitivas são outras razões para atrapalhar tudo também.
Sim, as pessoas que passam por confusão mental ou alteração de memória também podem perder fezes.
Vixe, já escrevi demais nesse post.
Então vou deixar uma pergunta prá você:
Já se imaginou correndo o risco de perder urina ou fezes a qualquer momento do dia, em qualquer lugar que você esteja?
Não é nada fácil. Tampouco contornável.
É sobre isso que vamos falar no próximo texto.
Beijoconas e até lá,

terça-feira, 2 de junho de 2009

Prezado cliente

Pois é, moçada, cêis não estão abandonados, não!
É que eu tô tão sem tempo, que nem banho tô conseguindo tomar...
Se bem que isso num é problema, é solução, com esse frio do cão que tem feito aqui na roça, né?
Assim que eu conseguir, boto um post aqui bem bacanudo, tá prometido.
Beijoconas,

terça-feira, 26 de maio de 2009

Fazendo cocô!!


Já se refez da notícia de ontem?
Então senta que lá vem história...
As pessoas que têm perda anal, em geral têm uma fragilidade da musculatura dos esfíncteres anais.
Ou seja, uma torneira meio frouxa, que nem acontece em algumas perdas urinárias.
Na verdade, são dois tipos de torneira no ânus (na bexiga também), o esfíncter interno, cujo controle é involuntário, e o externo, com controle voluntário.
As fezes ficam acumuladas no trecho final do intestino, que se chama sigmóide, bem de boa.
Após uma refeição, prá caber no intestino a turma nova que vem prá ser digerida, a gente tem um reflexo chamado de gastrocólico, que faz com que as fezes desçam prá porção que fica logo acima do ânus, a ampola retal.
Chegando lá, o esfíncter interno dá uma relaxadinha e a gente logo tem vontade de evacuar.
Se nós vamos atender a esse apelo irresistível do corpitcho, beleza.
É só estar preparado, no vaso sanitário, e relaxar voluntariamente o esfíncter externo que as fezes saem.
Sem precisar fazer força.
Mas, se a gente num pode/quer fazer isso naquela hora, então damos uma seguradinha, apertando o ânus e, em cerca de dois minutos, o esfíncter interno se contrai novamente e o bagulho fica por ali.
Só que ali num é lugar de ficar muito tempo, concorda?
O espaço não é grande, a água das fezes vai sendo absorvida prá acomodar melhor e... o cocô fica ressecado, num formato redondo.
E mais difícil de sair.
Comeu de novo? Começa a ladainha novamente, pois seu corpo quer se livrar daquele resíduo que está lá na fila, esperando.
Capturou por que num se deve adiar a evacuação?
Deu vontade, vá ao banheiro.
Senão, da próxima vez será bem menos agradável.
P.S. Imagens do Google

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O número dois

Agora vou dar um tempo na perda urinária e falar um tico da perda anal.
Sim, o correto é incontinência anal, pois as pessoas podem perder gases ou fezes pelo ânus, capturou?
Quer dizer que uma simples perda de gases pode ser problema???
Pode sim, e pode indicar também o início do problema.
Só prá você ter uma idéia, existem alguns índices para se avaliar a Incontinência anal, que são utilizados internacionalmente.
Eu utilizo e gosto muito deste do quadro abaixo, porque contempla uma avaliação da qualidade de vida e também porque foi feito por um cirurgião brasileiro.
Dê uma espiada prá ter uma idéia e faça a sua avaliação, se for o seu caso:

Índice de Incontinência Anal (Jorge; Wexner, 1993)










Ok, ok, depois dessa você vai precisar de um tempo prá pensar no assunto, pois deve ter ficado um tanto trapaiado(a) com a novidade. Enquanto você matuta por aí, eu dou os retoques finais no post de amanhã, no qual pretendo explicar como tudo isso acontece, tá bão? Beijoconas,

P.S. Imagens do Google

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Também tem novidade prás muiés...

Imagine que eu num ia arrumar uma novidade prá nós, nénão?!
Lógico que sim.
Afinal de contas, eu sou um daqueles espécimes do sexo feminino que tem satisfação e prazer em ter nascido mulher.
E, de verdade, sabe que só vejo coisas boas nisso??
Mas vamos ao que interessa, a tal novidade, que de novidade num tem nada, chama-se pessário vaginal.
Sim, num tem nadica de nada de novo, pois existem relatos interessantes sobre o seu uso, quer ver?
Os pesquisadores Flood e Hanson escreveram em um estudo de 2003 que esse é “um dos mais antigos dispositivos usados na Medicina, através dos séculos”; segundo Miller (1991) um cara chamado Aurelius Cornelius Celsius descreveu o seu uso em 27 a.C. em “De Medicina” e, prá terminar, o seu uso foi descrito também em um papiro datado de 1500 a.C., de acordo com outro estudioso chamado Deger , em 1993.
É mole, ou quer mais?
Sim, se você chegou até aqui, merece muito mais.
Os tais pessários vaginais são dispositivos (acho tão chic esse nome!!) confeccionados para serem introduzidos na vagina, e que servem para dar uma maior sustentação aos órgãos pélvicos da mulher.
Confeccionados em plástico, látex ou silicone, veja como eles são:








Pois bem, eles funcionam assim: a mulher que tem uma queda ou prolapso nos órgãos internos (bexiga, útero), pode ter perda urinária por causa disso. É que muda o ponto de pressão na torneira da bexiga, ficando numa área de musculatura mais frágil, sacou?
Daí o pessário, depois de colocado, reposiciona esses órgãos, dando uma apertadinha na torneira, o tal esfíncter.
Óia que interessante:
Eu não diria que é simplesinho usar o pessário, mas não é nenhum dramalhão.
Os tais só são indicados para aquelas mulheres que não querem ou não podem fazer a cirurgia para arrumar o que despencou. E como temos hoje um tantão de alternativas de técnica cirúrgica para isso, os pessários ficaram esquecidos pelos profissionais.
E agora, com o aumento de idosos no mundo, essa moda tá voltando.
Para utilizar um desses, a mulher tem que ser avaliada por um médico, que irá discutir com ela todas as possibilidades de tratamento primeiro, combinado?
Só então o profissional vai medir o comprimento da vagina, ver direitinho como estão posicionados os órgãos internos, medir o diâmetro do colo do útero e decidir qual o melhor tipo para o seu caso.
Então será feita a orientação de uso e higiene do produto, algumas sessões de adaptação e treino e... pimba!!!!
Basta colocar de manhã e tirar de noite. Fazer a higiene do pessário e repetir tudo no dia seguinte.
Não incomoda, não dói e, se tudo for feito adequadamente, o risco de complicações é baixo.
Ah, num dá prá usar quando estiver menstruada, viu?
Enfim, essa é uma “velhidade” prá você pensar.
Quem sabe num pode ser bem legal prá você também?
Então, um monte de beijoconas e até mais,

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma novidade!!!

Eitcha, que hoje eu vou contar uma coisa bem interessante prá você que tem aquela bexiga que fica contraindo-se e perdendo urina o tempo todo, mesmo sem fazer força abdominal.
Lembra que eu falei ontem sobre a tal toxina botulínica para o tratamento da incontinência urinária?
Pois é, o uso dessa toxina já está sendo feito com sucesso em vários países, e já foi aprovado pela ANVISA, no Brasil.
Sim, aquela mesma que se usa prá deixar o rosto esticadinho, e que se usa também para tratar a espasticidade em pessoas com problemas neurológicos.
O princípio é o seguinte: a toxina botulínica causa a paralisia das fibras musculares, onde for aplicada.
Se for no rosto, os músculos diminuem a contração, e a ruga fica lisinha.
Na bexiga, ela “acalma” a danada, que passa a contrair apenas na medida e hora certa.
Mas, prá que isso aconteça, o médico tem que fazer as aplicações examinando tudo direitinho pelo cistoscópio, o aparelhinho que permite que ele veja lá dentro.
Tudo isso sob analgesia, prá não sentir dor.
E de cateter vesical, a tal sonda de Foley, prá monitorar o enchimento da danada.
Em alguns casos pode haver algum sangramento, e a pessoa fica sob observação por algumas horas e, se estiver tudo bem, será liberada no mesmo dia.
Logicamente que a aplicação tem que ser repetida a cada 8 ou 10 meses, dependendo do caso, mas a garantia de ficar sem aquelas perdas incômodas até que vale a pena, num acha?!
Alguns convênios já estão liberando esse procedimento e pagando o uso do produto, sempre depois de uma solicitação bem documentada, através de exames prévios.
O SUS ainda não cobre esse tratamento, mas nós vamos aguardar e torcer prá que isso aconteça em breve.
É que as pessoas com bexiga hiperativa e aquelas com hiperreflexia detrusora (bexiga que se contrai muito) por lesões neurológicas podem se beneficiar demais com essa alternativa.
Bem legal isso, né?
Então, ‘bora batalhar prá que isso aconteça logo, nénão?
Beijoconas,

E tem remédio???

Continuando a prosa de tratamentos para incontinência urinária, vou falar do uso de medicamentos prá resolver o assunto.
Sim, tem várias opções para os vários tipos de incontinência.
Mas, para uma avaliação adequada, vá ao seu urologista (isso já virou bordão!) que fará o tal exame urodinâmico prá saber com detalhes como (não) funciona sua bexiga, certo?
Os caboclos que têm dificuldade prá urinar contam com duas opções:
* os agentes colinérgicos, que estimulam a contração da bexiga
* os alfa-bloqueadores, que afrouxam a torneira.

Já os peões que sofrem de mijo solto têm um tantão delas:
* os agentes anti-colinérgicos, que estimulam a contração da bexiga (lógico, é o contrário do outro, nénão?)
* os bloqueadores beta-adrenérgicos, que dão uma força extra na torneira
* os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (nome lindo!!) e os inibidores da atividade dos receptores beta-adrenérgicos (outro nome maravilhoso!!), que agem dando um relax na bexiga
* os estimuladores alfa-adrenérgicos, que também dão um tapa na torneira
* a toxina botulínica, que reduz as contrações da bexiga (desse eu vou falar mais no próximo post)
* os estrógenos, hormônios que estimulam a produção de colágeno e elastina, que são aqueles que dão mais tônus na musculatura das partes baixas.

Ufa, quanto nome lindo, né, gente?
Claro que eu botei aqui o nome do princípio ativo das drogas, pois o mercado nacional tem cada dia mais opções à venda de todos eles, e não cabia ficar falando disso.
O que importa, de verdade, é que você saiba que tem muitas alternativas, caso não se adapte na primeira tentativa.
E também, a minha intenção é oferecer a você umas dicas prá sair que nem doido pesquisando cada um deles na internet, e depois correr prá infernizar a equipe que cuida de você, cheio de pose de quem já sabe tudo...
Em suma, tá feita a sacanagem do dia...
Agora é com você!!!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tomo antibiótico???

Essa é uma dúvida realmente complicada para aquelas pessoas que tem resíduo urinário constantemente.
Sim, porque para todas as outras, ou seja, a maioria da população, infecção de trato urinário (ITU) deve sim ser tratada com antimicrobianos, os tais antibióticos.
Com ou sem sintomas, se der positivo o exame de urocultura, certamente o médico irá prescrever tais remédios.
Já no caso das pessoas com resíduo urinário por bexiga neurogênica, a coisa funciona um pouco diferente.
É que a bexiga dessas pessoas costuma desenvolver mecanismos de redução de danos para funcionar normalmente com a presença constante de bactérias na sua superfície, o que nós chamamos de colonização.
Essas bactérias são mais ou menos como um pessoal que resolveu invadir um espaço que achou favorável prá viver.
Isso porque a urina represada constantemente é um prato e tanto prá essas danadas.
Nesse caso a bexiga fica mais grossa, com uma pele interna mais espessa, prá impedir que as bactérias avancem prá dentro das células.
Mas, se o caboclo ficar com a resistência imunológica diminuída, coisa que acontece de vez em quando com qualquer um, as bactérias ficam se achando e partem pro ataque.
Ou melhor, pulam prá dentro das células e invadem geral.
A essa invasão dentro das células e que implica numa resposta efetiva do corpo, damos o nome de infecção.
A resposta do corpo vem na forma de febre, ardor para urinar, mudança no cheiro e na cor da urina, dor no pé da barriga, dificuldade prá urinar, sangue, pus, e por aí vai...
O nome dessa resposta é sintoma.
Mas agora vamos voltar lá pro caso das pessoas com resíduo urinário, e entender melhor o que acontece.
Essa tal urina que sempre sobra, alimenta as bactérias de um só tipo de família: Escherichia coli, Enteroccocus fecalis, Proteus Sp, etc.
Nomes lindos os delas, num acha?
Pois só vive um tipo de família lá dentro. E vive sempre lá, na boa. Comendo os restos do xixi preso.
Felizes. E sem causar doença nenhuma.
Que nem elas vivem na nossa boca, nos ajudando na quebra dos alimentos que comemos.
E, no caso da boca, se a gente fizer a limpeza adequada depois das refeições (escovação e fio dental), num resta muita comida prá elas, então elas se controlam, não se reproduzem demais e não causam danos, ficando na superfície.
Pois nessas bexigas acontece a mesmíssima coisa.
Se o peão tirar o resto de urina que ficou lá dentro depois de uma xixizada, usando o cateterismo intermitente, fica tudo mais fácil.
Só sobra um tiquinho de comida e as bactérias, que não são bobas nem nada, ficam de boa, namorando e se reproduzindo de forma controlada.
Só botam as manguinhas de fora quando o cabra ficar com resistência baixa.
E é facinho de perceber, pois aparecem aqueles sintomas todos, desequilibrando a vida do marmanjo.
Nessas horas, a primeira coisa a fazer é aumentar a ingestão de líquidos e também o número de cateterismos diários.
Sim, prá lavar a bexiga, de cima prá baixo, sacou?
Em seguida, procurar o seu urologista prá fazer o exame de cultura de urina com antibiograma, que é aquele teste que mostra a quais antibióticos as suas bactérias podem responder, e a quais deles elas já estão resistentes.
Enquanto o exame num fica pronto (uns 3 a 4 dias), a dica é falar com seu médico sobre a possibilidade de usar um antisséptico urinário, que funciona mais ou menos como um detergente na bexiga, e pode ajudar bastante.
E, quando o resultado do exame pintar, seu médico decidirá qual remédio deve te prescrever.
Em muitos casos, só com essas primeiras medidas, se tomadas rapidinho, a infecção pode se resolver.
Com isso, evita-se o uso indiscriminado de medicamentos que foram desenvolvidos para serem usados com critério, sempre sob orientação médica, correto?
E você escapa dos efeitos colaterais que todos os medicamentos apresentam.
Num é uma boa idéia?
Então pense nisso da próxima vez.
E, prá encerrar, uma dica muito interessante: percebeu que a pessoa que tem resíduo sempre tem a sua família de bactérias morando dentro da bexiga?
Pois bem, por isso mesmo é que o cateterismo intermitente, que eu já falei lá embaixo, pode ser feito de forma limpa e em casa.
Porque se você levar lá prá dentro algumas bactérias, elas serão certamente “jantadas” pela turma que mora lá dentro.
Na maior.
Mas não abuse. Quanto mais higiênico for o seu procedimento, mais garantido prá você, saca?!
E agora chega.
Um bom findi, que a semana foi pesadona, e eu pretendo descansar bem legal.

Tamo quase...

Gente, há 13 anos eu batalho para conseguir implementar a distribuição gratuita e regular de catéteres vesicais para as pessoas que fazem cateterismo intermitente aqui em Sorocity.
Isso tá na lei, como você pode ler num dos primeiros posts, lá embaixo.
Só em Ribeirão Preto isso já é feito sistematicamente, e foi organizado por uma amigona minha, que lutou outro tantão de anos por isso.
Agora nós estamos tão perto, mas tão perto de conseguir isso, que eu nem consigo pensar em outra coisa.
O cabra vai ser avaliado no Ambulatório, aprende a fazer o dito cujo e depois será inscrito no programa, juntos com os estomizados, para fazer sua retirada mensal de material.
Num é lindo?
Melhor do que isso, é a garantia dos direitos constitucionais das pessoas com incontinência urinária por sequela de lesões neurológicas.
E o cateter num será pouca bosta, não.
Será um produto pré-lubrificado, hipoalergênico, estéril, atóxico e de uso único.
Simplesmente demais.
Seu santo é forte?
Então, venha junto comigo.
Vamos torcer para que as pessoas que batem o martelo façam isso com sua consciência.
Porque dinheiro público na saúde é para isso: proporcionar qualidade de vida para quem perdeu suas funções vitais.
E tenho a certeza de que passagem aérea prá família de deputado passear nas Zoropa não está nessa lista.
Assim, 'bora rezar prá dar certo, moçada!!!
Beijoconas,

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eles também??

Sabe aquele papo de tossir e urinar perna abaixo?
Pois é, não é exclusividade só das mulheres, não!!
Os homens, embora protegidos pela anatomia, podem apresentar o mesmo problema após uma cirurgia de retirada de próstata, a prostatectomia radical.
Então vamos por partes.
Sabemos que uma boa parte dos homens têm chance de apresentar câncer de próstata após os 60 anos, cerca de um sexto deles.
É um número significativo, por isso existem tantas campanhas no mundo todo buscando orientar a todos para a detecção precoce.
Depois do diagnóstico, são diversas as alternativas de tratamento: cirurgia, hormonioterapia, quimioterapia, radioterapia.
Cada caso é um caso e sempre deve ser discutido com o urologista.
Para aqueles que optam pela retirada da próstata, sempre deve ser colocada a possibilidade de ficar com alguma perda de urina ou ainda, com disfunção erétil, a paumolescência...
Nem todos têm essas seqüelas pós-operatórias, tudo varia de acordo com a técnica cirúrgica, o tamanho e as características do tumor, a habilidade do cirurgião, as condições físicas do paciente, entre outras coisas.
Mas a possibilidade existe e, diante de um câncer, a maioria dos homens não vacila: pode operar, doutor!!
Cirurgia feita, PSA perto de zero, o peão volta todo lampeiro pro consultório querendo ficar nos trinques.
Nada mais justo, né?
Aí começa o nosso trabalho: exercícios para fortalecimento da musculatura do períneo podem contribuir bastante para resolver a mijação infernal. E quanto mais precocemente se iniciar esse cuidado, melhor o prognóstico.
Esses exercícios são parte do tratamento, que pode ser favorecido com eletroestimulação e biofeedback, coisas das quais falarei com detalhes mais prá frente.
Mas adianto que tudo isso serve prá deixar os músculos das partes bem bombados, fortinhos.
Aqueles que não têm essa opção e perderam parte da musculatura da “torneira mijativa”, acabam tendo que usar aqueles dispositivos que eu já falei aqui.
E tem vários que melhoram com o tempo, pois a perda da musculatura não foi tão importante.
De novo, cada um é um caso.
Qual é o seu?
Seja qual for, vá atrás das terapias de reabilitação. Com certeza haverá um bom profissional perto de você, disposto a contribuir para a melhora da sua qualidade de vida.
Afinal de contas, você merece, nénão??!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Fez força... urinou!!!

Pois é, agora vamos começar a falar de alguns tipos de perda urinária que podemos encontrar por aí.
A incontinência urinária de esforço é isso mesmo: tossiu/espirrou/fez força abdominal... perde-se um tanto de urina.
Pode ser um tiquinho, quando é no começo, ou um tantão, quando a perda está avançada.
Muito mais comum nas mulheres do que nos homens, está relacionada a vários fatores: obesidade, problemas pulmonares, partos complicados, constipação intestinal (prisão de ventre ou intestino preso), muitas gestações, cirurgias pélvicas, atividade física de alto impacto, e por aí vai...
Na verdade, tudo isso resume um problema só, a flacidez dos músculos do períneo, que ajudam a sustentar a bexiga, o útero e todos os órgãos que estão no nosso abdômen.
E a anatomia feminina tem alguns complicadores, lembra disso, né?
É que a gente tem lá embaixo, três orifícios: uretra, vagina e ânus; enquanto que os homens têm só dois: uretra (caninho que passa dentro do pênis e que é bem mais protegido pelo design) e ânus.
Ou seja, quando a gente faz uma força a mais com a barriga, temos três buraquinhos que, se não estiverem bem “calçados” podem servir de porta de saída do que tem dentro da pelve.
Estar bem calçado significa ter músculos fortes.
Algum dia você já fez exercícios prá fortalecer esses músculos?
Aposto que não.
E se a mulher não herdou dos seus antepassados uns músculos bem bacanas que nem a Madonna, daí qualquer forcinha já pode botar tudo prá baixo, com mais facilidade.
Ou seja, a herança genética também pode ajudar ou atrapalhar...
Sabe aquela sua tia bonachona e engraçada que, cada vez que ouve uma piada boa, ri de se arregaçar, e sai correndo pro banheiro?
Pode ser que ela perca urina, nessas ocasiões...
Mas isso tem tratamento, e o resultado pode ser excelente, se a pessoa cuidar desde o comecinho.
São exercícios específicos para o períneo, que devem ser feitos com a ajuda de um profissional (ói eu aqui de novo... eba!!), em uma sequência adequada, além de mexer um pouquinho nos hábitos urinários.
Ah, regularizar o intestino é fundamental nesses casos, também.
Para aqueles casos mais adiantados, tem cirurgia, que hoje já é bem menos complicada, e que dá excelentes resultados. Basta procurar um urologista, que poderá fazer a orientação adequada.
E sobre os tais exercícios, eu prometo que falo mais... só que outro dia!!!
É que eu vou viajar, prá dar um beijão bem gordão na minha mãe... e quero arrumar as malas!!!
Então, um ótimo findi procê, um super dia das mães, e até segunda, tá?!!!!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O exame uro...dinâmico

Agora chega de falar de alternativas, vou voltar um tiquinho na incontinência urinária, como já comentei no segundo post.
Para um diagnóstico mais apurado é fundamental que a pessoa seja submetida a alguns exames e, dentre eles, o exame urodinâmico é considerado “padrão ouro”.
Muitas pessoas que já fizeram o danado lembram com um certo pesar daquele dia fatídico.
Então vamos fuçar um pouco nisso.
Tudo começa com um bom preparo e, para isso, toda orientação ao caboclo é bem vinda.
A primeira etapa é chamada de Urofluxometria, que nada mais é do que um estudo, num gráfico, do fluxo do xixi. Isso mesmo, um desenho da mijada...
Com isso já se pode analisar se há alguma obstrução para a saída da urina, se o xixi é demorado demais, se é lento, se sai facinho ou com dificuldade e mais outros detalhes.
Basta que a pessoa esteja com a bexiga cheia e tenha vontade de urinar. Daí ela se dirige à sala de exame, é orientada a fazer seu xixi sentada (ou de pé, depende do hábito ou da condição de cada um), sem ninguém por perto. O examinador programa tudo e sai da sala, prá pessoa ficar bem à vontade e ter um resultado com o mínimo de interferência.
Até aí tá fácil, né?
Depois disso, vem a parte chata: coloca-se um cateter vesical (sonda) dos mais fininhos na bexiga do peão, e um outro no ânus.
Sim, lá mesmo, coração. E esse tem um balão na ponta, que será preenchido com água.
Toda essa parafernália é fixada com adesivos e o cabra (ou a cabrita) volta prá tal cadeira onde tudo será conectado no aparelho.
É tanto caninho, fio e sensor, que quem olha pensa que se trata de um enfeite natalino.
Tá bom, tá bom, falta um tanto de brilho e uns piscas, eu concordo...
Pensou que tava tudo pronto? Que nada, agora é que vai começar a brincadeira.
A bexiga será preenchida com soro fisiológico (água com sal) através do cateter, bem devagar.
E o examinador vai registrando tudo o que achar conveniente, pois isso simula o enchimento da bexiga pela urina que escoa pelos ureteres, capturou?
Quando a vontade de urinar ficar fortona, interrompe-se o fluxo do soro e a pessoa é orientada a urinar.
Percebeu o drama? Fazer xixi na frente de alguém (ou alguéns!), com sonda na bexiga, outra no ânus, vestido com uma camisolona medonha, e ainda de pé?
É de desequilibrar o juízo, fala sério!!!
E quanto mais à vontade a pessoa fica, melhor o desempenho do exame.
Sim, porque nesse caso, o mais importante não são os números que se vê nos gráficos e sim, a forma como os eventos se dão: as perdas que podem ocorrer, quando surge o primeiro desejo de urinar, quando o desejo fica apertadão, e por aí vai.
E a gente fica lá, atenta aos resultados e ainda preocupada com o desconforto do paciente.
Sacou como a coisa toda é tensa?
Pois dois desses num dia deixam a gente com a cabeça quente, principalmente dependendo do que se encontra, das condições do doente, de dores e complicações.
Mas com um exame desses bem feito, pode-se avaliar exatamente como funcionam a bexiga, a torneira e ainda um prognóstico da função renal todinha.
Num é bacana?
Pode ficar ainda melhor se a pessoa for bem orientada, todos puderem se manter calmos e colaborativos, e houver alguma descontração no ambiente.
Sim, porque a habilidade de levar esses momentos difíceis com bom humor, com certeza faz até das experiências menos agradáveis, bons momentos de aprendizado.
Para todos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A pele... foi pro saco!!!

A presença de urina em contato com a pele, ainda que por pouco tempo, dependendo da sensibilidade do peão, poderá causar desconforto e lesões, além daquele cheiro de, digamos... mijo!
Essa é uma das grandes preocupações das pessoas com incontinência, e que merece toda a nossa atenção.
Antes de mais nada, a higiene das partes deve ser feita na proporção das perdas, com água morna (se estiver frio, claro!) e sabonete líquido de glicerina.
Essa é a melhor opção, pois esse produto é o que tem o pH mais adequado ao da pele, que é ácido.
Em geral, uma a duas vezes ao dia tá mais do que bom.
No caso de ter que fazer outras faxinas, pode usar apenas água ou ainda um lenço umedecido, daqueles que se compra por aí, mas sem esfregar demais a pele.
Se você é das pessoas que têm pele mais sensíveis ou já tem alguma irritação ou descamação, o uso de um creme/loção barreira é indicado.
São produtos que, quando aplicados, formam uma película protetora bastante eficiente, que impede o contato do xixi com a pele.
Linda, essa tal de tecnologia, num acha?!
Esses produtos sempre devem ser indicados por um especialista (eu, por exemplo, que tal????), que irá avaliar o que melhor se aplica em cada caso.
Outra coisa a ser pensada é o ambiente em que fica a pessoa, quando ela está acamada.
Sim, pois chegar num lugar com aquele cheiro é de lascar...
E muitas vezes, pelo fato de terem se habituado à presença constante do xixi nas roupas, as pessoas se acostumam com o aroma...
Que nem a gente quando exagera no perfume e entra no elevador, achando que tá abafando!!!
Daí, o uso de tecidos impermeabilizados (isso é bem facinho de se fazer em casa), pode ajudar a manter a pessoa numa cama mais seca, e a limpeza das roupas de cama será mais tranquila.
Vale lembrar que o ambiente também pode ficar muito mais cheirosinho se a família utilizar um controlador de odores, desses que tem aos montes no mercado.
Num é demais a gente poder ficar num quarto bem cuidado, cheirosinho e arejado?
Deu até vontade de te visitar, só prá gente falar besteira juntos!
Se prometer que passa um café no coador de pano, ainda que num tenha bolinhos, eu vou mesmo...
Inté,

domingo, 3 de maio de 2009

E mais outra, pros zomes... de novo!

Pois é, nós mulheres, por conta da anatomia temos bem menos alternativas na contenção da perda urinária.
É que aquele equipamento deles é mesmo duca, nénão?
Literalmente!!!
Então vamos falar hoje do clamp peniano.
Sim, é como um clip, com um desenho bacaninha, que serve apenas para aqueles que perdem pequenas quantidades de urina.
Dê uma espiada nas imagens, prá ter uma idéia.
Eles podem ser feitos de plástico flexível, silicone ou aço inoxidável com espuma almofadada e alguns têm um velcro prá fechar.
O caboclo instala o danado no pênis e faz uma leve pressão prá fechar.
Leve mesmo, porque senão pode causar interrupção do fluxo sanguíneo.
Fique aqui registrado que esse clamp só é indicado para os zomes que têm sensibilidade nas partes baixas.
Os demais correm muito risco ao usar essa alternativa.
Daí essa ligeira pressão faz um fechamento auxiliar na uretra, que é o caninho da urina que fica dentro do pênis, e ajuda a segurar aquelas gotinhas que teimam em escapar, de vez em quando.
Nem todos os zomes aderem ao clamp mas, aqueles que superam as primeiras dificuldades de adaptação, relatam que é bastante confortável e prático.
Quando der vontade de urinar, é só soltar o velcro, tirar o clamp, empunhar a ferramenta e... fazer xixi.
E na roupa fica bem discreto, num dá bandeira não.
Ao contrário, rola até um volume um titico maior, sem denotar que tem algo estranho na parada, e que pode muito bem melhorar a cotação do cidadão na bolsa feminina...
Ok, ok, depois dessa dica, a empresa vai arrebentar de vender.
Tomara que possa servir prá você e, caso isso ocorra, me conte, viu?
Vou ficar feliz por saber!!!!
Beijoconas,
P.S. As imagens são do Google, de novo...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mais uma alternativa



Você já ouviu falar de “uripen”?
Essa é uma opção interessante para os homens que perdem urina e não querem/podem usar absorventes.
Mas o nome correto é “cateter/dispositivo uretral externo masculino”, e uripen é apenas o nome da marca de uma das opções do mercado.
Esse equipamento é como um preservativo com a ponta prolongada, mais fina e furada (putz, perdeu a função!!!) que deve ser adaptado a um caninho com uma bolsa que fica presa na perna.
Assim, a urina que escapa vai direto prá bolsa, que comporta cerca de uns 350ml, e que deve ter uma válvula de drenagem embaixo.
Encheu a bolsa? Corra prá um banheiro, esvazie a danada e volte prá cerveja!!!!!
O bagulho todo é tão discreto que, com essas bermudas que os homens usam hoje, das pernas largas, tudo pode ser ajeitado sem dar pinta.
Um conforto só, principalmente se a opção do caboclo for pelo produto que é de silicone e auto-adesivo.
É que algumas pessoas têm alergia ao látex, material mais comum de se encontrar por aí.
E fixar o dispositivo no pênis com fitas adesivas, para quem tem a sensibilidade diminuída pode ser um grande risco.
Não são poucos os homens que desenvolvem lesões de pele severas, ou até isquemia no pênis por apertar demais o dispositivo.
Os de silicone ou látex distendem caso o cidadão fique mais animado (oba!!!!), sem apertar e nem causar danos.
Vai sair prá tomar umas canas, azarar a muierada, ou pegar um cineminha?
Essa alternativa é bem legal e evita problemas, além de poder ficar por 24h, ou até o próximo banho.
Ou ainda para o sono, quando é bem menos inconveniente que os absorventes.
Mas, se você faz cateterismo vesical intermitente limpo durante o dia (de noite não precisa, certo?), daí esqueça o tal dispositivo, pois sai bem mais caro ficar trocando a cada vez.
Antes que eu me esqueça, a maioria das marcas tem cinco opções de tamanho e, antes da aquisição, o cristão mede o calibre do documento com um medidor de papel.
Essas medidas variam de 20mm a 40mm de diâmetro. Tá bão, nénão?!
Gostou da sugestão?
‘Bora ajustar o seu, prá tomar aquelas canjibrinas todas com os amigos, pois esse findi é prolongado.
E eu só volto na segunda...
Beijoconas,

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aviso

Aos cinco leitores desse blog:

Devido ao excesso de cachaça, petiscos, farra e quetais, a dona dessa bodega não tinha condições de escrever um post decente hoje.
É que ontem foi aniversário da fiota e fui praticamente obrigada a encher a fuça, coisa que muito me desagrada.
E agora estou saindo pro jantar mensal da Confraria gastronômica da qual faço parte, onde providenciarei o devido encharcamento dos neurônios restantes, com muito champagne e algum vinho.
Assim sendo, somente no dia Mundial do Trabalho, quando estarei restabelecida de tanta esbórnia, terei condições de voltar a esse nobre recinto, se a diarréia assim me permitir.
Beijoconas,

terça-feira, 28 de abril de 2009

Fraldas???


Existe uma grande variedade de equipamentos acessórios, no mercado nacional, para auxiliar as pessoas que têm perda urinária.
A mais conhecida de todos é a maldita fralda.
Isso porque, além das crianças nos primeiros anos de vida, que perdem fezes e urina até adquirirem o controle neurológico, essas carçonas não ajudam muito mais ninguém.
Acontece que elas foram desenhadas prá esse fim: as crianças.
E depois os caras começaram a fabricar em tamanho grande, sem nenhuma mudança significativa, e passaram a dizer que eram para adultos e idosos.
Vamos pensar juntos, então?
O homem que perde urina, se molha onde? Na frente, onde ele aloja o documento, certo?
Então ele num precisa de um troço que envolva a bunda, os quadris e tudo o mais, combinado?
A menos que a gente esqueça o indivíduo todo mijado, por horas e horas.
Pensando nisso, o produto que ele precisa tem que acomodar o pênis + escroto, ser absorvente, auto-adesivo, transformar a urina recebida em flocos de gel e ser confortável.

As duas imagens ilustram alguns modelos masculinos existentes no mercado nacional.

E a mulher? Nós perdemos urina lá embaixo, nas partes. Então nosso absorvente urinário deve ser parecido com aqueles que usamos para conter o fluxo menstrual.
Capturou a mensagem?
Isso quer dizer que dá prá viver mais confortável quando se tem um produto que atenda às necessidades e que seja desenhado especialmente para isso.
E aquelas pessoas que perdem fezes e urina?
Oportunamente eu falarei da perda de fezes e o que se pode fazer para melhorar isso, já que se trata de outro departamento, tá bão?
Ah, vale lembrar que as pessoas que fazem o cateterismo vesical intermitente limpo com indicação adequada têm muito menos perdas urinárias nos intervalos, quando têm.
Para esses casos é que eu sugiro o uso do absorvente.
Já os que continuam se molhando significativamente nos intervalos, mesmo com o cateterismo, devem conversar com um urologista rapidinho, pois essa bexiga pode ter alguma outra alteração (hiperreflexia), o que pede outro tipo de intervenção.
De verdade mesmo, o big problem do uso de fraldas em adultos por longo tempo é a deterioração de toda a pele, papo que merece um post.
Daqueles bem grandes, prá ensinar direitim a cuidar das bundinhas, que podem sim ser lisinhas e sensuais. Escrusive prá quem tem o mijo sorto.
Ah, os zomes ainda têm uma alternativa, que pode ser interessante e da qual falarei amanhã.


Beijoconas,


P.S. As imagens são da Coloplast do Brasil e da Tena. Não consegui imagem do produto da Dryman, empresa brazuca que produz uma alternativa bem legal também.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fazendo xixi pelo cano

Embora pareça coisa muito complicada, essa de enfiar um canudo na ponta do pênis (ou no buraquinho da uretra, nas mulheres) e fazê-lo chegar até a bexiga para drenar a urina, não tem nada de difícil.
Eu mesma já fiz em mim e tenho pacientes (crianças), que fizeram em mim prá constatar que não tem nada de muito raro nisso tudo.
Lógico que depois eu fiz nelas, né?
Não é um procedimento dolorido, apenas um pouco desconfortável. Mas nada de dor.
E, com o tempo a pessoa acostuma e passa a fazer isso de olhos fechados, de verdade.
Mas porque temos que eliminar a urina???
Simplesmente porque nela só tem coisas das quais nosso corpo não precisa mais, e se ficar tudo isso por muito tempo armazenado, vai virar alimento para as bactérias.
A regra geral é: a cada 2 ou 3 horas a nossa bexiga deve ser esvaziada.
E essa regra deve ser seguida por todo mundo. Sem exceção, sob pena de problemas urinários futuros.
Então vamos à prática.
O cabra precisa primeiramente lavar as mãos. Não tem água nem sabonete?
Use um lenço umedecido, que funciona muito bem.
Daí faz o mesmo com os genitais. Vale o lenço umedecido de novo.
Depois é só ir introduzindo o cateter com um pouco de lubrificante pelo buraquinho do pênis ou da uretra, nas mulheres.
Aliás, nas mulheres, embora pareça complicado, é bem mais fácil: o orifício da uretra é o primeiro que nós temos e, mais abaixo dele vem a vagina.
Ficou confuso? Nada disso, é só introduzir o dedo médio na vagina, para fechá-la e, com o indicador e o polegar segura-se o cateter que vai sendo introduzido no orifício de cima, o que restou, certo?
Pelamordedeus que ninguém tá confundindo isso com o ânus, combinado?
De qualquer forma, antes de começar a aventura, pegue um espelho e explore as “partes baixas” com gosto.
Antes que eu me esqueça, nos homens, durante a introdução do cateter o pênis deve estar sempre perpendicular ao abdômen, ou seja, olhando prá frente, nunca para cima.
Se o cabra sentir uma leve resistência quando passou uns 10 cm do cateter, basta abaixar um pouquinho o pênis e continuar introduzindo que daí vai bem fácil.
É que nesse ponto existe uma parada meio sinistra chamada ângulo peno-escrotal, que pode ser facilmente vencida com essa manobra.
Quando o cateter chegar na bexiga a urina começará a sair pelo cateter espontaneamente.
A minha dica é posicionar-se frente ao vaso sanitário e já deixar a urinar cair direto.
Terminou tudo? Retire o cateter devagar, guarde os seus “documentos”, lave o cateter com água e detergente, enxágüe, seque e guarde prá próxima.
Puxa vida, mas isso é assim tão simples, que nem precisa de luva, antisséptico, seringa, UTI móvel nem nada?
É isso mesmo.
Toda pessoa que tem bexiga neurogênica costuma ter suas bactérias de estimação morando na bexiga, portanto a técnica não precisa ser estéril.
O risco para elas é quando a oferta de alimento para as bactérias (pela urina presa) é grande, quando a sua resistência diminui, ou quando as tais bactérias aumentam demais.
E isso pode ser evitado retirando aquela urina que não foi eliminada.
Se a pessoa conseguir fazer algum xixi espontaneamente, a indicação é sempre passar o cateter depois desse xixi.
É que quando a gente urina, sempre saem aquelas sujeiras que estão pelo caminho e o risco de infecção diminui bastante.
E essas pessoas terão sempre algumas bactérias morando lá, sem necessariamente causar infecção. Que nem nós temos bactérias na boca, que moram na superfície, mas não causam dano.
E que a gente mantêm controladas escovando os dentes e usando fio dental.
Em resumo, o cateterismo vesical intermitente limpo é, para a bexiga dessas pessoas, uma medida de proteção dos rins e de controle da população bacteriana.
Mas e os antibióticos?
Eles só devem ser tomados sob prescrição médica e quando as bactérias estiverem causando confusão: febre, urina escura e fedida, dor, urina presa, entre outros sintomas.
O equilíbrio no dia-a-dia pode ser garantido com a retirada da urina pelo tal caninho, com medidas básicas de higiene.
E prá comprar esse material todo?
Essa é a minha grande batalha profissional.
A legislação garante a todos o direito a esses materiais que, assim como outros, está longe de ser uma realidade: http://www.cedipod.org.br/dec3298.htm
Isso porque o sistema público de saúde ainda não conta com profissionais preparados para o cuidado dessas pessoas e nem com um programa de distribuição de material de forma organizada.
O cateter vesical pré-lubrificado de uso único, ou então cateter vesical + lubrificante, absorventes masculinos/femininos, dispositivos uretrais e coletores de urina, protetores de pele, e todos os breguetes necessários são direito de todos os que deles necessitam, e deveriam ser fornecidos nos serviços especializados.
Veja uma imagem de dois tipos de cateter vesical pré-lubrificado, daqueles ultra mega power extra bacanas:




Ficou com dúvida? Ok, vou falar mais disso no próximo post, tá bão?
P.S. Imagens da Coloplast do Brasil Ltda., valia bem um incentivo monetário, nénão??!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Como começam algumas perdas urinárias

Esse post que será publicado em duas partes, foi escrito inicialmente para publicação no blog "Assim como você", do meu amigo Jairo Marques, cujo link fica aqui do lado.
Obviamente que, depois de publicado lá, eu pedi autorização a ele que, muito carinhosamente, me disse que poderia botar aqui.
Achei muito legal começar por esse texto, pois foi o que me inspirou a criar esse cantinho.
Então, aperte os cintos e vamos lá:
Pois é, parece bizarro saber que urinar por um caninho é a realidade de muitas pessoas com problemas neurológicos que dificultam a saída espontânea da urina.
O bagulho começa assim: nós temos dois rins cuja principal função é filtrar as impurezas e o excesso de água no sangue e que mandam tudo isso para a bexiga, através de dois canos chamados ureteres.
A bexiga serve, então, para armazenar a urina até que estejamos em condições favoráveis para eliminá-la, e isso é algo voluntário, para o qual fomos treinados desde a infância.
Já deu prá perceber que o controle geral da coisa acontece no cérebro, né?
Ou seja, a bexiga fica cheia (mais ou menos uns 300ml) e envia essa informação pro cérebro através da medula espinhal e, lá no córtex cerebral nós decidimos se podemos urinar naquele momento, ou se adiamos isso.
Se a gente resolver urinar, quando tudo estiver ajeitadinho, o cérebro envia uma ordem para a bexiga se contrair e, automaticamente a torneira se abre. Daí a urina sai gostoso....
Se a gente não puder urinar naquele momento, o córtex cerebral manda a bexiga ficar de boa que logo, logo vai chegar a vez dela.
Para ficar de boa, ela tem que estar bem relaxada prá caber toda a urina e o esfíncter (a torneira da bexiga) tem que estar bem apertadinho prá não escapar nada.
E quem faz o controle dessas coisas são alguns nervos, que além disso levam as informações para o cérebro e trazem as decisões de volta.
E a estrada por onde circulam todas essas informações é a medula espinhal, que fica dentro da nossa coluna vertebral.
Quando uma pessoa tem alguma lesão na medula, seja ela de qualquer tipo, a comunicação com o cérebro pode ser alterada ou até mesmo interrompida.
Dá prá imaginar o estrago que isso causa?
A bexiga enche e nada da pessoa sentir vontade de urinar.
Ou ela esvazia sozinha, sem que o “servivente” esteja preparado (mijar na calça, certo?). Em outros casos ela vai dilatando e, quando o cara der aquela espremidinha na barriga a torneira não agüenta o tranco e dá uma abridinha... mijou na calça, do mesmo jeito...
Tem casos piores, naqueles em que, na hora de urinar, a bexiga se contrai e a torneira não abre.
Daí a pressão nos ureteres aumenta e os rins correm o grande risco de parar de funcionar logo.
Ou então tem aqueles outros casos em que a bexiga não contrai nunca. E ainda aqueles em que a torneira nunca fecha.
Bem, esses são só alguns exemplos, porque existem uns casos por aí mais problemáticos, e outros nem tanto.
Tudo problema neurológico.
O nome correto disso é disfunção vesical de origem neurológica, ou bexiga neurogênica, como muita gente ainda diz.
Qualquer que seja o caso, a primeira providência é procurar um urologista, que certamente fará um exame urodinâmico para avaliar o funcionamento da bexiga do caboclo.
Para alguns casos tem medicamentos que ajudam, para outros têm cirurgias e, para a grande maioria, a alternativa é dar uma força prá bexiga e esvaziar totalmente a danada algumas vezes por dia através de um cateter vesical, que o povo chama de sonda.
Capturou o lance da necessidade de retirada de urina pelo cano?
Os detalhes sobre essa aventura virão na segunda-feira.
Beijoconas,

P.S. A imagem do veio do Google, viu?

Posso introduzir?

Oi, bem-vindo (a) ao espaço que eu criei para falar de forma descontraída e informal sobre a incontinência urinária, incontinência anal, feridas e estomas.
É que eu sou uma enfermeira estomaterapeuta, especialista em cuidar de gente que enfrenta essas perdas.
Tenho também um outro blog, que qualquer hora dessas eu apresento, pois é um diário virtual e onde pouco falo exatamente do que faço.
Decidi escrever aqui justamente para poder informar, de maneira divertida, aquelas pessoas que estão dando seus primeiros passos para conviver com ou superar essas dificuldades.
O espaço está aberto para sugestões, críticas, perguntas as quais eu me esforçarei para responder, ou ainda quaisquer outras manifestações que possamos encarar juntos.
Sinta-se à vontade para palpitar.
Eu já estou.
Beijocas na bunda,